É justamente para dar visibilidade a essa realidade que surgiu o movimento Maio Furta-Cor, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental materna.
Criado em 2021, o Maio Furta-Cor ganhou força em diversas cidades brasileiras e se tornou uma importante mobilização social voltada ao acolhimento de mães. O nome da campanha representa as diferentes emoções vividas durante a maternidade. Assim como a cor “furta-cor” muda conforme a luz e o olhar, os sentimentos maternos também variam entre alegria, medo, insegurança, amor, cansaço e sobrecarga.
A proposta do movimento é quebrar o silêncio sobre temas que ainda são considerados tabu. Muitas mulheres sofrem em silêncio por medo de julgamentos ou por acreditarem que precisam dar conta de tudo sozinhas. Especialistas alertam que a pressão social sobre a figura da “mãe perfeita” contribui diretamente para o adoecimento emocional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, transtornos mentais podem afetar mulheres durante a gestação e também após o parto. A depressão pós-parto, por exemplo, é uma das condições mais conhecidas, mas não é a única. Crises de ansiedade, síndrome de burnout materno, alterações emocionais e episódios de esgotamento têm sido cada vez mais frequentes.
Além das mudanças hormonais e físicas, muitas mães enfrentam jornadas duplas ou triplas de trabalho, falta de rede de apoio, dificuldades financeiras e cobranças constantes da sociedade. Em muitos casos, a mulher precisa conciliar maternidade, trabalho, estudos e responsabilidades domésticas, deixando de cuidar da própria saúde emocional.
Outro ponto importante levantado pela campanha é a romantização da maternidade. Embora ser mãe possa trazer momentos especiais, a experiência também envolve desafios reais e cansativos. O Maio Furta-Cor busca justamente humanizar essa vivência e mostrar que sentir medo, tristeza ou cansaço não faz de ninguém uma mãe ruim.
Nas redes sociais, a campanha tem mobilizado milhares de mulheres que compartilham relatos pessoais, histórias de superação e mensagens de acolhimento. Diversos profissionais da saúde, psicólogos, médicos, doulas e influenciadoras também participam das ações de conscientização ao longo do mês de maio.
Em várias cidades do Brasil, instituições públicas e privadas promovem rodas de conversa, palestras, caminhadas e eventos voltados ao tema. As ações buscam orientar mães e familiares sobre a importância do apoio emocional durante a gestação e após o nascimento dos filhos
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O movimento também chama atenção para a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental materna. Muitas mulheres ainda encontram dificuldades para acessar atendimento psicológico gratuito ou especializado, principalmente em cidades menores. Especialistas defendem que o acompanhamento emocional deve fazer parte do pré-natal e do pós-parto de forma mais ampla.
Outro objetivo do Maio Furta-Cor é conscientizar a sociedade sobre a importância da rede de apoio. Pequenos gestos, como ouvir sem julgar, ajudar nos cuidados com o bebê ou oferecer suporte emocional, podem fazer grande diferença na vida de uma mãe.
A campanha reforça que cuidar da saúde mental materna é cuidar de toda a família. Quando a mãe recebe acolhimento e apoio, o desenvolvimento da criança e o bem-estar familiar também são impactados de forma positiva.
Mais do que uma campanha, o Maio Furta-Cor se tornou um movimento de empatia e conscientização. A iniciativa busca lembrar que mães também precisam ser cuidadas, ouvidas e acolhidas. Afinal, por trás da força que muitas demonstram diariamente, também existem emoções, fragilidades e a necessidade de apoio.
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