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Sábado, 09 de Maio 2026

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Intolerância religiosa é racismo — e o silêncio não é neutro

Discutir a intolerância religiosa no Brasil requer franqueza: quando as religiões de origem africana são atacadas, não se trata apenas de diferenças de crença, mas de um racismo que tem raízes profundas e que ainda se manifesta de muitas formas.

Tom
Por Tom
Intolerância religiosa é racismo — e o silêncio não é neutro
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Discutir a intolerância religiosa no Brasil requer franqueza: quando as religiões de origem africana são atacadas, não se trata apenas de diferenças de crença, mas de um racismo que tem raízes profundas e que ainda se manifesta de muitas formas. Os ataques a terreiros, a zombaria de símbolos sagrados e a violência contra os adeptos do Candomblé e da Umbanda não são eventos isolados. Eles representam uma sociedade que ainda classifica culturas, crenças e identidades de maneira hierárquica.

Apesar de o Estado professar um caráter laico, a realidade prática revela outra verdade. Enquanto algumas religiões gozam de aceitação e proteção social, as de cunho africano continuam sendo vistas como ameaças, superstições ou até crimes. Isso não ocorre sem motivo. Essas tradições carregam uma herança africana, negra e ancestral que o Brasil, ao longo da história, procurou erradicar ou demonizar.

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Não se pode abordar a intolerância religiosa sem entender sua base racial. O que frequentemente é atacado não é somente a crença em si, mas tudo que ela simboliza: resistência, identidade negra, memória e senso de pertencimento. Quando um terreiro é colocado em chamas ou uma criança enfrenta constrangimento por usar guias, a mensagem é clara — certos modos de viver ainda são vistos como inaceitáveis.

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Nesse contexto, o letramento antirracista passa a ser uma necessidade urgente. Ensinar sobre antirracismo envolve instigar a análise de estereótipos, entender a história do Brasil além de uma perspectiva eurocêntrica e valorizar as culturas afro-brasileiras. Isso também implica em compreender que respeitar as religiões africanas não implica em concordar com elas, mas em reconhecer que o direito à fé é um direito humano fundamental.

As escolas, a mídia e as instituições públicas têm um papel crucial nesse processo. Quando se mantêm em silêncio, ajudam a perpetuar a discriminação. Ao disseminar discursos que ligam essas religiões ao “mal” ou ao “risco”, intensificam violências simbólicas que abrem espaço para agressões concretas.

Não existe democracia se parte da população é forçada a ocultar suas crenças para sobreviver. Combater a intolerância religiosa é confrontar o racismo que é a base da nossa sociedade. E isso demanda mais do que meras declarações genéricas sobre respeito: é imprescindível uma educação crítica, posicionamentos claros e ações efetivas.

O silêncio diante da intolerância não é uma posição neutra. É conivência.

Cairo Santos de Lara, zelador de candomblé, presidente do conselho municipal da igualdade racial COMPIR
Cairo Santos de Lara, zelador de candomblé, presidente do conselho municipal da igualdade racial COMPIR

Escrito por Cairo Santos de Lara, zelador de candomblé, presidente do conselho municipal da igualdade racial COMPIR

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